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Arquivo do mês: abril 2012
Baco sem Frescuras, por José Antonio Baço
Eis que o amigo José Antonio Baço nos brinda nessa manhã fria de outono com um texto muito criativo e divertido. Segue a opinião dele sobre os “blá-blá-blás” do mundo do vinho.

BACO SEM FRESCURAS
Tenho um amigo que não gosta nadinha de vinho. Aliás, só há uma coisa que ele detesta ainda mais: os caras que fazem do vinho uma espécie de culto religioso. Ok, não concordo no que se relaciona à bebida em si, porque sou um apreciador. Mas acho que ele tem uma certa razão neste ponto: tem neguinho por aí que fala do vinho como quem está defendendo uma tese de doutorado.
Não dá para disfarçar. Há muita frescura. Há muito pedantismo. Há muita afirmação de status. Tem uns caras que tentam elevar a simples degustação de uma bebida a uma ciência reservada a poucos experts. Que besteira. Quando estou à frente de um copo de vinho, eu bebo. Mas esses sujeitos de má safra não se limitam a beber e têm que vomitar um discurso sobre o terroir, as castas, os taninos, o nariz e o escambau.
É muita parra para pouca uva.
ORGANOLÉPTICO – Ok, a escolha de um vinho impõe algum conhecimento e exige um certo ritual. Mas tem “especialista” que exagera na dose. Para começar, há uns tipos que não chamam a coisa de “beber”, mas experiência “organoléptica”, uma coisa para os sentidos (visão, olfato e paladar). É um porre.
O leitor e a leitora já leram avaliações críticas de um vinho? É um universo paralelo, cheio de prosódias flácidas para dormitar bovinos. Os tipos falam uma língua próxima do patagonês. Vejam alguns exemplos de crítica de vinho que encontrei por aí:
• Nariz fino, equilibrado e delicado. A componente mineral, a lembrar apara de lápis, combina com um aroma alicorado a fruta e com couro fino.
• Matiz intenso que refrata a luz, deixando passar apenas a luminosidade exata para revelar o seu corpo denso e aveludado.
• Aromas complexos que destacam a groselha negra e cedro, com apontamentos a caixa de charutos e lápis. Desenvolve-se no copo, somando aromas a framboesa, amoras e pimenta.
• O estilo próprio é completado por nuances a lagar e a pimentão – uma paixão.
• Revela, para além dos frutos vermelhos, especiarias com notas de alcatrão e muito tabaco no nariz. Palato cheio e redondo.
• Uma cor lindíssima com os tons escuros de ameixa preta a esbaterem-se num menisco dominado por tons violáceos muito intensos.
ANEDÓTICO – Apara de lápis? Lagar? Couro? Menisco? Caixa de charuto? Alcatrão? Catso, eles não estavam falando de vinho? Aliás, apenas para sacanear, uma dessas “análises” aí atrás fui eu que inventei. Os textos são anedóticos e eu apenas entrei no espírito para escrever. Dá para adivinhar qual é o meu texto?
Aí o leitor e a leitora que curtem esses salamaleques vão dizer que os caras são estudiosos e não sei mais o quê. Tolice. Os tipos fogem de provas cegas como o diabo foge da cruz. Já vi resultados de provas cegas (não há qualquer informação sobre os vinhos) em que os caras se desmanchavam em elogios para vinhos de 10 reais e diziam que o vinho de 500 reais é uma porcaria.
Eu fico com a minha própria crítica. É tudo uma questão de gosto. E gosto.
É como diz o velho deitado: “Para bom bebedor, meia garrafa basta?”
Vinho e Feijoada?
Hoje teve início a temporada de feijoadas aqui em Joinville. E a mais famosa e badalada de todas, a do Biergarten, estreou 2012 com casa cheia e exibindo a tradicional exuberância do mais brasileiros dos pratos. E não foi ainda dessa vez que experimentei / ousei harmonizar feijoada com vinhos. Mas, a curiosidade é tal que passei a tarde pesquisando sobre o assunto. E, nessas garimpadas na internet, esbarrei com um belo artigo escrito pelo saudoso mestre Saul Galvão e outro do Nelson do blog Vinho Sem Segredo. Suas dicas são muito interessantes e fazem todo sentido na teoria. Na prática me resta esperar pelo próximo sábado e degustar a excelente feijoada do Bier com um Lambrusco ou outro espumante tinto bem frutado, sugestão do Saul que só pode resultar em coisa boa!
‘Wines of The World’, que bela sacada de design!
O estúdio de design Lavernia & Cienfuegos nos brinda com essa puta sacada de design de rótulos, chamada ‘Wines of the World’. Esta linha de vinhos foi especialmente criada para uma rede de supermercados belga chamada Delhaize. Tem na figura da rolha customizada dependendo do país em questão, a personagem principal.Magnífico, muito belo e divertido!
In Vino Veritas
Degustação de vinhos portugueses
Eis que sábado passado, dia 21 de abril (véspera do aniversário de descobrimento do Brasil), os enófilos de Joinville tiveram a chance única de descobrir os vinhos de Portugal, em um evento impecável! Organizado pelo pessoal da Adega di Bacco, a mega-degustação com o aval da Adega Alentejana, contou com 20 produtores portugueses, contabilizando quase 100 rótulos de vinho, dezenas de azeites, algumas cervejas e até sardinhas em conserva. Um road-show pelo Brasil, muito legal, que espero aconteça novamente
Este humilde escriba, na companhia do amigo Jean Vendrami, proprietário do restaurante Biergarten, percorreu o mapa dos expositores, degustando deliciosos vinhos alentejanos, lisboetas, da região do Douro, enfim, coletando muitas informações, curiosidades e principalmente sorrisos dos profissionais que amigavelmente nos receberam e expuseram de maneira impecável seus preciosos produtos.
Este evento vem coroar o avanço que nossa cidade está alcançando na enogastronomia. Centenas de amantes do vinho interessadíssimos, uma ótima organização e uma repercussão sem igual, provam que o vinho está conquistando aos pouquinhos seu lugar de direito no gosto dos consumidores.
Esse post é uma primeira homenagem a esse evento e a seu principal personagem, o Super Mário da Di Bacco. Pretendo em posts futuros destacar as muitas vinícolas que fizeram parte desse belo show.
E que venham os próximos!
Vinho & Propaganda ou Sexy Wine?
Vinho PUNK!
Cara, esse mundo do vinho não vai parar de surpreender? Acabo de descobrir, nessas navegadas pela web durante as madrugadas que existe um movimento viticultor PUNK. De verdade! Colin McBryde, que recentemente foi eleito o ‘Enólogo Revelação’ da Austrália, criou o Some Young Punks Wines, um projeto abusado, ousado, que desde a concepção dos vinhos até o design totalmente diferenciado, se destaca por sua visceralidade.
Se os vinhos são bons? Não sei. Mas penso em encomendar alguns para degustar. Afinal, estamos aqui para isso não é verdade? Sair do lugar comum, experimentar o novo e levar a cultura do vinho a mercados e públicos cada vez mais ecléticos e abrangentes.
Hey ho, lets go!
Sexy Wine
Lugares Espetaculares para degustar um vinho #05
E põe espetacular nisso: wine bar do Miura Hotel, na cidade de Čeladná, uma região da república checa, aos pés das montanhas Beskydy. Com direito a um bebê pixelado engatinhando no teto, a la Trainspotting! Isso sem contar na Jacuzzi que fica à disposição ao lado do bar, para os hóspedes mais desinibidos. Fotos em alta resolução após o clique




















