Quando a gente pensa que tá começando a entender um pouquinho do mundo do vinho, aparece um tinto albanês e nos joga lá pro início de novo! Foi assim nesse Domingo, quando em um almoço na casa do meu pai, daqueles churrascos que ele gosta de fazer, que degustamos um vinho inusitado: um tinto albanês chamado Çobo Keshmer. Esse tipo de aventura só é possível por causa do internacional Jordi Castan, amigo catalão-brasileiro (e espanhol quando a Fúria joga e ganha) que sempre lembra de trazer um vinho diferente de cada canto do mundo que ele visita. Foi por causa dele que descobri o maravilhoso vinho peruano, por exemplo.
Voltando ao albanês: ele é produzido na cidade Berat (foto acima) patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, que fica encravada em umas colinas, a cerca de 130 km sul da capital Tirana. A família Çobo, que significa literalmente “vinicultores” em albanês, se vangloria de uma tradição centenária na produção de vinhos finos, 100% realizada em suas propriedades nessa região. No site tem um video todo elegante que destila nas imagens o orgulho do pessoal em relação ao terroir e produto., inclusive pelo que pude perceber, com citações e testemunhais de poetas e estadistas como Romano Prodi.
Na mesa para acompanhar esse presente sem igual que nos proporcionou Jordi, eu e meu pai começamos com uma linguiça de presunto Jamón, uma iguaria catalã lá das terras do amigo Castan. Com uma capa de pimenta, serviu para deixar alerta nosso paladar para o vinho que, pela composição de seu blend que leva Cabernet, Merlot e a variedade local Shesh i Zi, pedia comidas ricas em especiarias e claro, assados de carnes de sabor bem marcantes.
A tal carne de sabor marcante e condimentada que viria ser o par perfeito para nosso vinho, estava sendo preparada na grelha. Uma bela perna de carneiro, temperada com 24 horas de antecedência pelo seu Irineu, meu pai. Uma delícia que fez o vinho crescer e se desenvolver à mesa, trazendo lembranças dos bons vinhos piemonteses que bebíamos aos pés dos Alpes, em 1997. Foi uma opinião comum e uma das poucas vezes que eu e meu velho concordamos em algo de primeira
Ah… esse mundo do vinho. A gente se prende às vezes, em sua geografia restrita a uma dúzia de países, mas graças aos amigos, graças às mentes abertas que buscam o novo sem se contentar com a rotina, podemos descobrir coisas inéditas e surpreendentemente deliciosas. Um brinde a esse mundo maravilhoso, um brinde aos vinhos de países fora do mainstream. Um brinde à vida e aos amigos!



