Por um verão mais cor de rosa

Todo fim de ano, na maioria das vezes, é assim: no Natal, o dourado, o vermelho e o verde dominam a cena, decorando as casas com seus tons vibrantes. No réveillon, o branco é praticamente uma unanimidade, não é mesmo? Pois então amigos, e por que não fazer do início de 2013, no auge do calor do verão, uma época mais rosada? Me explico a seguir!

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Dos tipos de vinho que ainda precisam ser (re) descobertos por nós brasileiros o principal deles, na minha opinião, é o rosé. O vinho rosé é em geral bem apropriado para nosso verão, que pelo jeito chegou com tudo. É leve, suave, perfumado e muito saboroso servido geladinho. É a companhia ideal para pratos à base de frutos do mar, o que o torna ainda mais convidativo. Listo a seguir algumas opções deliciosas de vinho rosé , para que o amigo possa desfrutar o verão, à beira do mar ou da piscina, brindando ao ano novo com uma bela taça desse vinho de cor belíssima, aroma único e sabor inconfundível.
rose_zoomAnakana Cabernet Sauvignon Rosé
O chileno Anakena, proveniente do Vale do Rapel, é um dos meus preferidos. Seu nome faz referência à principal praia da Ilha de Páscoa. Deve ser servido à temperatura de 10 graus, e mantido assim durante toda degustação. Proporciona desde o primeiro gole um frescor muito perfumado, com presença maciça de flores, morangos e pêssegos. Bastante macio, suave, sem nada de madeira o que realça a leveza e balanço. Uma pedida certeira para as noites quentes de janeiro. Custa cerca de 30 reais na Vinum Enoteca, um ótimo custo benifício.
image_8420_1_2018_1_2162Valduga Naturelle Frizz Rosé
Uma anchova bem temperadinha na grelha, um bom papo com os amigos e família e uma taça desse rosé nacional na mão, o mar à vista. Se tem um cenário que possa traduzir um dia de verão ideal para mim, é essa. O Naturelle Frizz é um rosé suave, de um adocicado discreto e extremamente frutado, com destaque especial para o pêssego. É composto por 3 uvas a Merlot, Malvasia e Moscato. Servido geladinho, agrada em cheio às meninas e aos marmanjos, apesar da sua coloração e sabor mais “femininos”. Por meros R$ 25,00 na De Marseille, pode ser considerado uma alternativa criativa às ‘skols’ e ‘brahmas’ tradicionais.

los_haraldos_roseLos Haroldos Malbec Rosé
Esse argentino é uma grata surpresa. Indicada pela amiga Caroline, da Adega Di Bacco, o Los Haroldos é um rosé feito com uva Malbec procedente de um pequeno contato com as cascas resultando em um rosé leve e agradável com um aroma frutado que lembra morango, cereja e framboesa. Refrescante, leve e fácil de beber. Por R$ 22,00 se mostra imbatível no quesito custo x benifício.
19245_AmpliadaRosé D’anjou Guy Saget
Não poderia faltar um francês nesta lista, e nada melhor do que um Rosé D’anjou para fazer as honras do país. O famoso e típico rosado do Loire é fácil de beber e tem em seu sabor levemente adocicado sem ser enjoativo seu maior atributo. Um vinho meio-seco, com um bom nível de açúcar residual, aroma de frutas vermelhas frescas, principalmente morango e groselha. Seu nível de álcool relativamente baixo (11%) agradará com certeza muitos paladares. Recomendadíssimo como aperitivo, ou para acompanhar uma boa salada ou um peixe de sabor mais intenso. Pode ser encomendado na Vinum Enoteca, por cerca de R$ 55,00.
Verão em um país tropical mas com um toque bem mediterrâneo. Esta é a dica deste mês, se você ainda não provou o sabor refrescante dos vinhos rosé, convido a experimentar. Com certeza seus dias e noites ficarão mais leves e agradáveis. E com um toque cor de rosa! Até a próxima.

 

Um Toro Loco… mas domado.

E foi assim: fiz um sanduíche de pão francês, manteiga, uma fatia de queijo e o bife acebolado que sobrou do almoço, cortado em pequenas fatias. Entre uma mordida e outra, uma bebericada no controverso Toro Loco, o vinho de um punhado de euros que bateu uma porção de concorrentes mais caros em uma degustação às cegas na Europa. Aqui, foi recebido com opiniões diversas, algumas até mais exaltadas o acusavam de pura manobra de marketing, etc & etc. E como gosto é gosto… nem vou entrar no mérito.

E eu que não sou ‘loco’ nem tenho um orçamento gigante para aventuras etílicas, enfim, sou apenas um enoleigo latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, sorvi esse vinho barato de maneira descompromissada, em uma noite de segunda-feira chuvosa. E sinceramente ele foi muito bem com meu sanduíche. Ah claro, não é um barolo nem um bordeaux… Não esperava, também, tanta coisa de um vinho que custa no Brasil seus 20 e pouco reais. Mas no resumo: Olé! vou abrir outra garrafa dia desses.

BUENOS DÍAS EN BUENOS AIRES – OS VINHOS

Chegou a parte final do mega-post sobre a viagem a Buenos Aires no mês de julho. Depois de falar um pouco sobre a arquitetura, os restaurantes, chegou a vez de destacar os vinhos que comprei por lá e degustei por aqui. Eles foram adquiridos na loja Tonel Privado do shopping Galerias Pacifico, na Calle Florida.

Fui super bem atendido e assessorado pelo hermano xará Alejandro, que fez uma seleção no meu ponto de vida, matadora para o (pouco) que eu queria gastar. Valorizei na escolha principalmente vinhos que não são encontrados facilmente por aqui (Joinville). Contei com os conselhos do amigo e mestre Alexandre Frias, que me deu algumas ótimas dicas e que foram devidamente aproveitadas. Como vocês podem observar nas fotos, os vinhos foram muito bem embalados, e a caixa chegou intacta ao seu destino.

Por ordem de degustação, os vinhos foram os seguintes:


Alto Sur Malbec 2010
38 pesos (19 reais)
Simples, descompromissado mas com álcool e acidez suficientes para um boa degustação.


Cruz Alta Cabernet Sauvignon 2012
45 pesos (23 reais)
Belíssimo CS, com certeza uma das surpresas da seleção. Se encontrar por aí, irei comprar novamente.


La Vuelta Malbec 2010
28 pesos (14 reais)
O arrependimento: não ter provado antes esse vinho lá para ter trazido 1 caixa! Custo x benefício espetacular, vinho delicioso.


La Flor de Pulenta Cabernet Sauvignon 2008
58 pesos (29 reais)
Um vinho mais famoso, com o renome Pulenta. Bom, nada espetacular. Degustei vinhos melhores por menos lá em Buenos Aires.


Animal Malbec 2009
81 pesos (40 reais)
Um orgânico com assinatura de Ernesto Catena. Um vinhaço, que por aqui custa mais de 70 reais, valeu cada peso investido.


O último, um Trapiche Ciento Veinte Años, ainda não foi degustado. Mas está cercado de alguma expectativa, por ser o vinho mais caro que comprei e visto que o Alejandro, vendedor da Tonel Privado me confidenciou que seria uma bela compra por se tratar de um vinho com muitos atributos genuinamente argentinos. Foi criado com 5 uvas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot) em homenagem aos 120 anos da Bodega Trapiche. Como me simpatizei com a loja e o ótimo atendimento, resolvi confiar no cara. Agora, é aguardar a ocasião ideal para abrir o último sobrevivente da viagem. E pode deixar que, como sempre, contarei tudo pra vocês :-)

Licor de Merda

Nosso enogajo, correspondente do blog em Portugal, Zé António, o ilustre ‘baco com cedilha’ nos brinda com uma descoberta inusitada. Confira!

Licor de Merda

O leitor e a leitora vão me dar a liberdade de falar de outra bebida que não seja vinho. Mas acho importante partilhar este produto único de Portugal: o Licor de Merda. Ora, quem iria colocar um nome desses num produto? Ninguém de bom senso. Ou, pelo contrário, talvez alguém muito intuitivo em termos de marketing. Aliás, acho que foi por isso que sempre duvidei da sua existência, até que um dia vi uma garrafa num bar na região do Calvário, em Lisboa. Afinal, o Licor de Merda existia. É uma bebida da região de Cantanhede, feita à base de leite, baunilha, cacau, canela e frutas cítricas.

Diz a lenda que a bebida surgiu no período pós-revolução do 25 de Abril, que acabou com a ditadura salazarista em Portugal. E era uma maneira de fazer uma homenagem a alguns governantes que chegaram ao poder nesse período. Parece que ninguém se entendia.
No entanto, a marca só foi registrada quase 30 anos depois. Ok… vou ser sincero e dizer que nunca bebi. Quem experimentou diz que é uma merda da boa, muito gostoso.

Por: José António Baço

Presente de Páscoa

É com uma surpresa super agradável que inicio o feriado de Páscoa. Os amigos Mario e Caroline, da Adega di Bacco de Joinville, me enviaram esse lindo kit contendo 2 belos vinhos para harmonizar com as delícias gastronômicas desse momento especial. Um obrigado, sincero pela lembrança e deixo mais tarde no blog, as impressões sobre os vinhos e fotos dos pratos que eles acompanharão :-)

Ah, e a Adega di Bacco é aquela que está trazendo o incrível evento de vinhos portugueses, uma mega degustação de 20 produtores, coisa de 140 rótulos. Ainda têm ingressos disponíveis, alô você de Joinville e região!

Agenda do Vinho: Adega di Bacco / ATUALIZADO

Lugar definido, agora é hora de agendar e garantir seu ingresso para o grande evento de vinhos de Joinville!

Em abril a Adega di Bacco, de Joinville, estará organizando uma mega degustação de nada mais nada menos do que 18 produtores de ponta de Portugal. O evento, que neste ano espera mais de 300 enófilos, busca se tornar referência para a cidade e até mesmo região. O local, até em função do porte do evento, ainda está em negociação mas será devidamente informado assim que definido já foi definido, será na concessionária PEUGEOT LA FONTAINE. Fica então o convite, mesmo que com alguma antecedência (justamente para você reservar esse dia na agenda e não ter desculpa de ‘ah tá muito em cima, etc). Maiores informações com os amigos da Adega di Bacco, pelo telefone (47) 3439-2888 ou pelo e-mail adegadibacco@terra.com.br

Lista preliminar dos produtores:

Quinta do Ortigão (espumante e vinho tinto)

Condes de Barcelos

Vértice (espumante Vértice Rose e Millesime)

Quanta Terra

Quinta da Chocapalha

Quinta do Passadouro

Wine & Soul

Quinta da Alorna

Casa de Sabicos

Cortes de Cima (Produtor do Incógnito)

Fundação Eugénio de Almeida (Produtor do Pera manca, Cartuxa)

Tapada do Fidalgo

Monte do Pintor

Mouchão

Paulo Laureano Vinus (a confirmar)

Monte dos Cabaços

Tiago Cabaço (o enólogo mais comentado da atualidade)

Roquevale

Burmester / Gilberts

Super Bock

Verão Rosé 5 – Callia Alta Shiraz

Os dias de Carnaval aqui na região de Joinville, Santa Catarina, foram quentes. Muito quentes… quente tipo “hot-like-hell“, gente! Foram devidamente curtidos à beira da piscina, onde os blocos carnavalescos Unidos do Vinho Rosé, Mocidade das Cervas Geladas, Acadêmicos dos Espumantes  e  Caprichosos dos Brancos Portugueses rivalizaram pela preferência do público presente.

Todos blocos desfilaram respeitando suas respectivas temperaturas, o que tornou a disputa muito mais acirrada. Então, fui obigado a aplicar o critério de desempate: a harmonia. E aí não teve pra ninguém, o Callia Alta Rosé Shiraz 2010 esbanjou um conjunto de cor rosada lindo, elegância no aroma marcante de frutas tropicais, desenvoltura e muito ritmo no paladar. Mas, principalmente, harmonia. Casou de maneira fantástica todos seus atributos com um prato de ostras ao natural, também servidas bem geladinhas, que levaram os sambistas de Baco à loucura! Decretada a vitória, nos resta esperar o Carnaval 2013 e as surpresas que ele nos reserva.

O Callia Alta Rosé Shiraz 2010 pode ser adquirido online nas lojas De Marseille (sujeito à disponibilidade de estoque).

Ficha técnica (clique na imagem para ampliar)

Vídeos do Vinhos de Corte

Recomendo o canal Vinhos de Corte no Vimeo, do Daniel Perches. São programetes muito legais sobre vinhos nacionais e do mundo à fora. Tudo explanado de maneira simples e informal com muita simpatia. Gostei particularmente do vídeo abaixo, que fala sobre o Primeiro Desafio da Morcilla. Show de bola!

Leonardo e o carpaccio

Como um enófilo em busca de aprendizado e novas emoções no mundo das harmonizações, às vezes invento umas combinações e só depois de experimentá-las, vou ver se são consideradas como decentes pelos “papas” enochatos de plantão.

E assim foi nessa noite aqui em casa, onde minha mulher Simone preparou 2 belíssimas porções de carpaccio, que além de ser um prato leve e delicioso, se provou ótimo também no bolso. Afinal, o investimento foi de R$ 6,00 para uma bandeja da carne de qualidade finamente cortada, algumas folhas de rúcula, azeite, sal e pimenta. Perfeito!

O vinho escolhido foi um Torrontés argentino, o Leonardo. Aromático, envolvente, um vinho branco com uma personalidade sedutora que encantou e casou muitíssimo bem com a leveza do carpaccio. Uma harmonização que tinha tudo para ser arriscada, segundo alguns sites, mas que funcionou maravilhosamente bem. Nem me dei ao trabalho então de ver se realmente era algo a ser feito. Porque foi bom demais, e nada mais importou…

Não tem como sentir um certo orgulho bobo, em ter descoberto uma combinação que trouxe, e trará mais vezes no futuro, um prazer ao mesmo tempo sofisticado e de custo x benefício muito bacana. Fica a dica para aquelas noites em que você quer dar um basta na mesmice, pode confiar!

Maycas del Limarí

Sou um fã declarado da literatura e do cinema hispano-americanos.
Autores como Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Vargas Llosa, entre tantos outros, moldaram meu gosto pelos livros com essa criatividade e sotaque tão especiais. Já nos filmes, confesso ser um calouro e vou aos poucos descobrindo as nuances e cores graças às indicações de caros amigos.

Dias desses assistimos aqui em casa ao (in)tenso Amores Perros, de Alejandro González Iñárritu. Como todo filme que mexe demais com meus nervos, esse pediu a imediata companhia de um vinho de forte presença.
A escolha caiu sobre o Maycas del Limarí, da ótima seleção da Wine de dezembro. Um cabernet sauvignon reserva especial, de apresentação garrafa / rótulo simplesmente lindíssima. Chamou a atenção de cara pela data da safra conter, além do ano, também o dia e o mês. Potentes 14,5% de álcool foram muito bem-vindos para lidar com algumas cenas do filme, onde brigas de cachorro são retratadas praticamente com a crueza de um documentário.

Mas, esse poderio etílico não se faz notar no nariz nem no paladar. Como todo vinho de reserva especial de responsa, o Maycas del Limarí mostrou um controle interessante sobre álcool e taninos, resultando em um cabernet gentil apesar de complexo. Uma verdadeira jóia chilena que resultou em uma compra extra da seleção, pela primeira vez.

Filme, vinho, literatura… mais do que entretenimento, formam uma combinação de alimentos para a alma, que satisfaz e faz crescer.

The end :-)