Harmonizando Os Sabores de Joinville – parte 2

No texto deste mês da Revista Premier, dei continuidade ao meu desafio pessoal de harmonizar vinho e alguns dos clássicos da culinária de Joinville. A primeira parte, publicada mês passado, repercutiu até que de maneira surpreendente, gerando muitas outras sugestões, algumas críticas e uns poucos elogios. Mas, como sugestão é o que realmente importa, me senti tentado repetir a dose. Espero que curtam as ideias :-)

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HARMONIZANDO OS SABORES DA CIDADE – PARTE 2
Por: ALEXANDRE SETTER

E não é que o meu texto da edição passada repercutiu e esse humilde escriba embriagado de vinho e palavras recebeu vários e-mails e comentários dos leitores? Alguns elogios, algumas críticas e muitas sugestões que me motivaram a escrever uma sequência. A culinária do dia-a-dia, aqueles petiscos de botecos podendo ser degustados na companhia de um vinho é algo muito divertido e mostra que os leitores da Premier estão sedentos por novas harmonizações e aventuras enogastronômicas. Então, curta a seguir mais algumas ideias para experimentar e se surpreender, por que não? Santé!

Arroz Lambe-Lambe da Vigorelli
Um lugar que merecia uma atenção maior por parte de nossos governantes, a Vigorelli é a praia tradicional joinvilense. Lá no Nito, um restaurante à beira da nossa maravilhosa Baía da Babitonga, podemos apreciar a vista saboreando o famoso arroz Lambe-Lambe, preparado com mariscos, geralmente bacucus (marisco do mangue) em suas próprias cascas. Nada melhor pra combinar do que um vinho verde português bem geladinho e está feita a festa.

Pastel do Max Moppi e da Lanchonete Rio da Prata
Outro passeio mais distante do centro da cidade mas que vale muito a pena, é pegar a histórica Estrada Dona Francisca rumo a Campo Alegre. No caminho tem dois locais muito especiais dedicados a fazer os melhores pastéis e nessa competição entre eles quem ganha somos nós. Sou fã do carne com ovo e azeitonas, a massa frita crocante, recheio em abundância… Que tal um Pinotzinho da próxima vez? Claro, que vai ter gente que vai olhar de jeito esquisito pra gente, vão nos chamar de loucos e tudo mais. Mas como diz a canção, “louco é quem me diz / que não é feliz / eu sou feliz”.

Cachorro-quente caseiro
É simples, é barato, é irresistível. Não conheço quem não goste daquele cachorro-quente feito em casa, sabor e aroma que nos remetem à infância e às festas de aniversário de criança. Mas, “SETTER, COM VINHO?!” exclamarão alguns incautos. Sim, com vinho! O cachorro-quente nada mais é que molho vermelho de tomate leve, porém temperado e salsicha (carne). Se isso fosse numa massa todo mundo iria pedir uma taça de tinto né? Em casa sempre abro uma garrafa de Carmenére chileno para acompanhar a obra de arte que é o cachorro-quente da minha mulher Simone.

Costela Assada do Cantinho dos Amigos
Na Rua Anita Garibaldi, em uma casa de estilo genuinamente enxaimel, é assada aquela tradicional costela bovina. Sexta-feira é o dia de sentar em uma das mesas do Cantinho dos Amigos e pedir uma porção dessa carne maravilhosa, uma porção de pão e palmitos. Lá, a cerveja manda. Mas quando encomendo e levo para casa, a loira gelada é substituída por um Cabernet Sauvignon ou um Merlot, vinhos ideais para “lavar a gordura” e que harmonizam de maneira peculiar com o sabor da costela.

Cuca de Banana da Panificadora Blumenauense
Os “alemão pira” nessa ideia. Cuca e vinho? Jawohl! A torta mais amada da cidade pode ser acompanhada, ao invés do tradicionalíssimo café com leite, por uma taça de vinho doce. A harmonização fica ainda mais interessante se o vinho for um Moscatel Late Harvest, produzido no Vale do São Francisco. Doce com doce combina, e o vinho tem essa vocação de realçar os sabores e aromas. A vida é curta demais para não nos arriscarmos em umas aventuras gastronômicas como esta, então por que não tentar?

Muito bem gente, lembrando que as dicas aqui são fruto de experiências pessoais, e como já diz aquele ditado “gosto é gosto”. O objetivo principal é provocar o amigo a experimentar coisas novas, desvendar combinações e sair do lugar comum. Se isso for alcançado, já serei um cara mais feliz. Feliz Natal e um ótimo 2013 para todos nós.

O vinho como arma, uma história surpreendente!

Uma conspiração surpreendente está voltando à tona no Uruguai depois de 34 anos, com novas investigações e descobertas. Uma tentativa de assassinato com garrafas de vinho branco envenenado endereçadas ao ex-presidente Luis Alberto Lacalle, ao senador Carlos Julio Pereyra e ao conselheiro Mario Heber. Quem se deu mal foi a esposa de Heber, que bebeu um golinho do vinho e caiu morta na hora, tamanha a potência do veneno. A história completa, incrível, está neste link (em espanhol).

Um pastel de nata, um copo de espumante…


Crédito da imagem

O que seria da vida sem os pequenos prazeres? Não sei de onde vem a tradição – e nem se existe em outras casas portuguesas –, mas na minha família é uma coisa de muito tempo: pastel de nata acompanhado de um espumante.
Os sabores são indizíveis e nem vou tentar descrever. Mas recomendo que, se um dia tiver a mais remota oportunidade, não deixe de experimentar. Vale a pena. E a combinação parece bastante provável, se imaginarmos o contraste de um espumante mais seco e a doçura leve do pastel de natal. Doce? Sim…
Para um brasileiro, pastel é massa salgada com recheio. Portanto, para esclarecer os que estão menos familiarizados com o conceito dos pastéis portugueses, eles são uma das mais famosas criações da tradicional pastelaria local.
A maioria dos brasileiros já deve ter ouvido falar nos pastéis de Belém. Que são pastéis de nata, mas fabricados em Belém, um bairro de Lisboa. A pastelaria é um dos mais famosos pontos turísticos da cidade e todos os dias é invadidas por turistas, sejam estrangeiros ou locais, decididos a experimentar essa iguaria única. Também recomendo.
No meu caso, é caminho do trabalho. E, sempre que posso, passo por lá e levo alguns pasteis para casa. Onde serão devidamente apreciados com um bom copo de espumante. Pequenos prazeres.

Por: José António Baço

Vinho de Cannabis!

Wow, acabo de ler que o vinho com infusão de Cannabis existe e é fabricado regularmente na Califórnia! O que era uma prática artesanal 30 anos atrás, está ganhando adeptos tanto entre as vinícolas quanto do mercado consumidor. O escritor Michael Steinberger acha que o vinho emaconhado “tem um futuro brilhante no Vale do Napa, mas para o momento, os produtores estão fazendo o vinho em pequenas quantidades para ser compartilhado em “momentos de convívio com pessoas mais descoladas”. Mike degustou uma cuvée cannabis em um jantar  em Nova York, e descreveu como “um aroma herbal pungente que lembrou um dormitório da faculdade em um sábado à noite -ou um concerto do Grateful Dead”.

Vinho e Feijoada?

Hoje teve início a temporada de feijoadas aqui em Joinville. E a mais famosa e badalada de todas, a do Biergarten, estreou 2012 com casa cheia e exibindo a tradicional exuberância do mais brasileiros dos pratos. E não foi ainda dessa vez que experimentei / ousei harmonizar feijoada com vinhos. Mas, a curiosidade é tal que passei a tarde pesquisando sobre o assunto. E, nessas garimpadas na internet, esbarrei com um belo artigo escrito pelo saudoso mestre Saul Galvão e outro do Nelson do blog Vinho Sem Segredo. Suas dicas são muito interessantes e fazem todo sentido na teoria. Na prática me resta esperar pelo próximo sábado e degustar a excelente feijoada do Bier com um Lambrusco ou outro espumante tinto bem frutado, sugestão do Saul que só pode resultar em coisa boa!

Harmonizações perigosas: Vinho & Comida Mexicana

As possibilidades de harmonizações perigosas são infinitas quando você tem uma atitude meio “desrespeitosa” em relação aos conceitos pré-estabelecidos pelos enochatos. E numa dessas noites, tive mais uma prova de que diversão, simplicidade, bom papo e uma surpreendente e deliciosa janta preparada por um amigo, podem ser sim mais importantes do que simples convenções gastronômicas elitistas.

Iria ser mais uma noite de sexta-feira dessas, quando o caro Charles Henrique nos convidou para um jantar mexicano, com direito a burritos, tacos, guacamole e fajitas. Incrível! O jovem amigo acertou na mão, com a preciosa ajuda de seus pais Miriam e Raulino, aliás, ambos de uma doçura e ótimos de papo. Uma deliciosa aventura que ficou perfeita para mim, quando abri um vinho espanhol que casou muito bem com a comida hiper condimentada oferecida pelos anfitriões.

O espanhol em questão foi um tinto da Rioja, o Barón Ladrón de Guevara Cosecha 2009, elaborado com as uvas Tempranillo e Graciano. Confesso que no início, ele “brigou” com o Guacamole, mas quando chegamos aos maravilhosos burritos com fajitas, o vinho desempenhou seu papel de harmonizar tudo com muito sabor e elegância. Obviamente, o quitute preparado pelo Charles foi um convite perfeito para que o vinho e seus atributos aparecessem com muita elegância sincera.

O vinho, que compõe o portfolio da Costazzurra, é uma bela escolha, mesmo para os momentos mais inusitados. Afinal, mostrou ser um espanhol versátil que até comida mexicana, e caseira, encarou com maestria. Recomendadíssimo! E aqui vai um obrigado aos amigos Charles, Raulino, Miriam e Luiz Eduardo, foram eles, mais do que o vinho, quem fizeram dessa noite um momento tão especial.

Harmonizações perigosas

Hoje foi uma noite de aventuras gastronômicas: após um roll-mops no bar do Zeppa, fui para casa para jantar uma bela dobradinha caseira. Nunca imaginei que iria, um dia, degustar esse ícone da comida popular e botequeira acompanhado por um vinho.

Mas a vida é curta, então não podemos ter medo de viver perigosamente uma vez ou outra.

E foi assim que derrubei um tabu pessoal. Aquela maravilha de prato, repleta de feijões brancos, linguiças, lombinho defumado e claro, carne de bucho bovino, ali na mesa, me esperando… E eu abrindo um Concha y Toro Reservado Malbec de 18 reais pra fazer as honras da “harmonização”.

E não é que funcionou? Apesar dos enochatos dizerem que isso é loucura, o vinho caiu bem. Talvez a pedida ideal fosse um vinho mais “rústico”, um Cabernet ou um Merlot. Mas, o Malbec desempenhou legal e me senti super satisfeito com o resultado.

p.s.: o Concha y Toro Reservado Malbec é um vinho muito bom pelo preço (18 reais). Uma pedida mais do que certa para o dia-a-dia. Foi adquirido na Mercearia Zeppelin, que tem uma seleção tímida porém bem feitinha de vinhos bons e baratos.