Um Toro Loco… mas domado.

E foi assim: fiz um sanduíche de pão francês, manteiga, uma fatia de queijo e o bife acebolado que sobrou do almoço, cortado em pequenas fatias. Entre uma mordida e outra, uma bebericada no controverso Toro Loco, o vinho de um punhado de euros que bateu uma porção de concorrentes mais caros em uma degustação às cegas na Europa. Aqui, foi recebido com opiniões diversas, algumas até mais exaltadas o acusavam de pura manobra de marketing, etc & etc. E como gosto é gosto… nem vou entrar no mérito.

E eu que não sou ‘loco’ nem tenho um orçamento gigante para aventuras etílicas, enfim, sou apenas um enoleigo latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, sorvi esse vinho barato de maneira descompromissada, em uma noite de segunda-feira chuvosa. E sinceramente ele foi muito bem com meu sanduíche. Ah claro, não é um barolo nem um bordeaux… Não esperava, também, tanta coisa de um vinho que custa no Brasil seus 20 e pouco reais. Mas no resumo: Olé! vou abrir outra garrafa dia desses.

Vem chegando o verão

A principal argumentação de meus amigos quando sugiro levar vinho para os dias na praia é de que eles, os vinhos, são muito mais caros do que uma caixa de cerveja. Mas, que tal se refrescar ao sabor de um delicioso e levíssimo espumante italiano que custa menos do que uma caixa da cerveja mais barata? Isso mesmo, um Lambrusco Anella Andreani branco custa módicos R$ 12,00 para os sócios do ClubeW da Wine ou se você ainda não quer se associar, poderá pagar por garrafa R$ 15,00.

Com base na relação custo x benefício fabulosa, o Anella Andreani agrada em cheio. É um vinho cor amarelo-palha clarinho, fácil de se beber e mais fácil de se virar um fã. Levemente frisante e frutado traz no aroma notas muito agradáveis de frutas cítricas. Bem gelado é um companheiro muito bom para aquele peixinho, camarão e, principalmente, ostras à beira-mar.

Ficha Técnica

Produtor: Anella Andreani

Tipo: Espumante – Lambrusco

Região: Emilia-Romagna

País: Italia

Uvas: Lambrusco (100%).

Graduação Alcoólica: 8%

Temperatura de Serviço: 7C

Diretrizes Enogastronômicas: Para pratos do dia a dia, lanches, pizzas, aperitivo.

Conteúdo: 750ml

Sabor: Fresco, levemente gaseificado.

Septima Malbec 2010

Já falamos aqui no blog sobre os vinhos sensacionais criados pela argentina Susana Balbo, que é uma baita de uma enóloga. E ao pesquisar maiores informações sobre o vinho de hoje, o Septima, descubro que a responsável por esse simpático Malbec é outra mulher, outra argentina, Paula Borgo. Acho que isso merece um post mais pra frente, trazendo os perfis das principais mulheres que são referência no mundo do vinho, que tal?
E esse Septima Malbec 2010, hein? Vinho que custou 20 reais na Wine, e que corresponde às expectativas de um vinho bom e barato. Muito “amigável”, fácil de beber e de simpatizar. Aroma destacado de frutas vermelhas, bem característico dos Malbecs, com toques de especiarias. O sabor, também frutado, tem um final agradável e amadeirado, consequência do repouso de 6 meses em barricas de carvalho.
Confesso que o vinho caiu tão bem e se mostrou tão despretensioso que não me preocupei em me aprofundar nas anotações da degustação. O que relato pra vocês aqui é fruto dos primeiros goles, depois só foi partir pro abraço e curtir mais esse vinho de custo e qualidade imbatíveis.
A ficha técnica completa, você pode ver aqui, no site da Bodega.

Ponto Nero

Estava eu procurando um Cabernet nacional bacana, quando me deparei com esse vinho de rótulo elegante, nome pomposo e preço que tem tudo a ver com a proposta do nosso blog: 18 pilas.

.Nero, Ponto Nero, negro em italiano.

A pessoa que me atendeu informou que esse vinho metido a bonitinho não era também ordinário. Ao contrário, vem da Domno, um braço herdeiro da cultura vinícola dos nossos amigos da Casa Valduga, o que foi fator decisivo para eu levar a garrafa para casa.

Gratíssima surpresa. Daqueles vinhos que encantam pela simpatia, pois se apresentou num belo conjunto marca x nome x rótulo, tem pedigree mas não carrega a pretensão desnecessária e, principalmente, marca pelo aroma elegante e sabor muito agradável, delicado.

Que mais vou dizer? É brasileiro, custa o mesmo que um bom vinho do Chile ou Argentina e é honesto.

Ponto Nero e final.

Ficha Técnica

Vinícola: Domno do Brasil

Variedades: 100% Cabernet Sauvignon.

Graduação alcoolica: 12,5%

Vinhedo: Vale dos Vinhedos

Localidade: Serra Gaúcha – Garibaldi – Rio Grande do Sul

COLHEITA
Colheita manual e seletiva em caixas plásticas de 18kg.

PROCESSO
Seleção manual das uvas, desengace, esmagamento; adição de leveduras selecionadas, fermentação alcoólica, controle de temperatura, descuba, fermentação malolática, estabilização, engarrafamento e rotulagem.

CONSUMO
14-16 °C

A Pantera Cor de Vinho

Confesso que muitas vezes me arrisco a comprar um vinho pelo simples fato dele me parecer diferente. Acho válido a tentativa de certas vinícolas se destacarem por outros atributos (embalagem, rótulo, conceito, nome, etc) do que apenas pelo produto líquido final.

Afinal, o mercado é ultra competitivo, então deixa a turma tentar aparecer! E foi assim com esse inusitado Bordeaux chamado Pink Panther. Quando criança adorava assistir aos desenhos do felino rosado e ao me deparar com um vinho que traz em seu rótulo esse querido personagem, não pensei 2 vezes: saquei os míseros 16 reais para adquirir esse exemplar do cartoon etílico e levei a Pantera para a casa.

Vinho divertido de se olhar, divertido de se beber. Não esperando nada por esse valor, o Pink Panther cumpriu a sua única função que esperávamos dele: arrancar alguns sorrisos ébrios, seja ao olharmos o rótulo bem humorado, a Pantera Cor de Rosa com Paris ao fundo, seja ao beber um vinho super honesto, que ousou na embalagem para levar à mesa dos amigos de Baco, uma opção boa, bonita e barata.

Observação: fica ainda mais divertido degustando ao som da trilha sonora de Henry Mancini :-)

Harmonizações perigosas

Hoje foi uma noite de aventuras gastronômicas: após um roll-mops no bar do Zeppa, fui para casa para jantar uma bela dobradinha caseira. Nunca imaginei que iria, um dia, degustar esse ícone da comida popular e botequeira acompanhado por um vinho.

Mas a vida é curta, então não podemos ter medo de viver perigosamente uma vez ou outra.

E foi assim que derrubei um tabu pessoal. Aquela maravilha de prato, repleta de feijões brancos, linguiças, lombinho defumado e claro, carne de bucho bovino, ali na mesa, me esperando… E eu abrindo um Concha y Toro Reservado Malbec de 18 reais pra fazer as honras da “harmonização”.

E não é que funcionou? Apesar dos enochatos dizerem que isso é loucura, o vinho caiu bem. Talvez a pedida ideal fosse um vinho mais “rústico”, um Cabernet ou um Merlot. Mas, o Malbec desempenhou legal e me senti super satisfeito com o resultado.

p.s.: o Concha y Toro Reservado Malbec é um vinho muito bom pelo preço (18 reais). Uma pedida mais do que certa para o dia-a-dia. Foi adquirido na Mercearia Zeppelin, que tem uma seleção tímida porém bem feitinha de vinhos bons e baratos.

Casa Perini

Então, chegou a hora do primeiro post neste blog sobre um vinho brasileiro. E ele vai para o simpático Perini, um cabernet sauvignon de menos de R$ 20,00 que foi servido em um jantar caseiro de casamento recentemente, agradando bastante por ser de fácil assimilação pelos paladares menos aventurados no mundo dos vinhos.

Caiu muito bem com um típico prato de serra (e muitíssimo bem preparado pela mãe da noiva), o Entrevero, que leva carne de panela assada, batatas e pinhão assado. Um vinho amigável, macio, sem grandes promessas, ideal para aquela noite de bate-papo informal com os amigos, em uma mesa de queijos ou mesmo ao redor de uma pizza.

Custou 17 reais no Mercado .Bom aqui de Joinville pelo que me foi dito. Por esse preço, temos opções importadas de nossos vizinhos, mas por que não dar uma chance para esse gaúcho?

Comentário do Produtor

Descrição do produto: Vinho tinto fino seco, elaborado com uvas selecionadas de vinhedos próprios, 100% da variedade Cabernet Sauvignon, conduzidos no inovador sistema de “espaldeira em Y”, resultando um vinho de cor rubi granada e aroma frutado bem característico. Com boa estrutura, ganhou complexidade com a passagem por barricas de carvalho, revelando retrogosto com marcante evolução e persistência.
Harmonizações: Ideal para acompanhar carnes vermelhas, caças, massas com molhos condimentados, pizzas, queijos e embutidos.
Temperatura de serviço: de 12 a 16 ° C.

Signos

Hermano… que beleza de vinho. O Signos Malbec 2008 se revelou nessa noite, um ótimo companheiro. Sedoso, quase aveludado no palato, e de um aroma frutado com notas de chocolate, o Signos agradou demais. Daqueles vinhos que não prometem nada por causa de seu preço e por isso mesmo acabam surpreendendo no resultado. R$ 19 e uns quebrados mais pobre, mas muito feliz e de alma aquecida com a honestidade desse Malbec. Adquirido na De Marseille, onde a gente pode encontrar algumas ótimas ofertas, ideal se você estiver cansado de comprar vinho nos supermercados da vida. Recomendo aos amigos, sem medo.

Ficha técnica

Nome: Signos
Safra: 2008
País: Argentina
Região: Vale de Tulum, Mendoza
Produtor: Bodegas Callia
Importador: Decanter

Uvas/Corte: Malbec 100%
Teor alcoólico: 13,5%
Preço: R$ 19,60 (De Marseille, Joinville)

Comentário do Produtor
Vermelho-rubi muito intenso. Deliciosamente maduro, com frutas vermelhas em compota e chocolate.
Encorpado, macio, sedoso e frutado na boca, com ótima persistência.