4 regiões produtoras fora do “mapa do vinho”

Parece Napa, mas é Inglaterra

1. INGLATERRA
O vinho foi introduzido à força na Inglaterra pelo Império Romano. Na época da invasão normanda no século 11, as vinhas já eram muito comuns. No início dos anos 1500, havia 139 vinícolas ativas, das quais 11 eram de propriedade do rei Henrique VIII. Os ecos desta época podem ser vistso ao redor de Londres, em áreas como a Vine Street e The Vineyards.

E o vinho inglês?
É frio, úmido e cinza na Inglaterra e muitas espécies não conseguem vingar. Variedades de clima frio, como Madeline Angevine, Pinot Noir e Chardonnay são populares, embora algumas vinícolas continuem tentando produzir Cabernet Franc. Como todas as variedades clássicas de Champagne crescem nos campos do Reino Unido, os britânicos desenvolveram sua própria versão de espumante. O Estate Bolney em Sussex recebeu vários prêmios por seu vinho espumante de inspiração clássica.

Ilha do Pico é Patrimônio Mundial da Unesco

2. ILHA DO PICO, AÇORES
Um pedaço intocado da história da viticultura está no arquipélago dos Açores, na costa de Portugal. A ilha vulcânica do Pico é o lar de um labirinto enorme de rochas criado pelo homem durante os anos 1400. A intrincada rede de milhares de paredes de rochas protegem pequenas parcelas de vinhas da espécie Verdelho. O vinho feito de uvas cultivadas nos labirintos é chamado Vinho Verdelho do Pico e foi sempre muito bem estimado por czares e nobres na Europa durante séculos.

Um tesouro dos Czares
A ilha vulcânica tem um solo extremamente pobre, coberto principalmente por basalto. As paredes de pedra oferecem proteção contra ventos oceânicos e a maresia. As parcelas são minúsculas e possuem apenas poucas aberturas para os trabalhadores da vinha passarem. O povo da ilha do Pico conseguiu eliminar pragas resistentes em favor da Verdelho, Arinto, Terrantez, Boal e Fernão Pires, uvas comuns de 500 anos atrás. São vinhos difíceis de encontrar, mas você pode ter alguma sorte procurando pelas seguintes regiões: Pico, Biscoitos e Graciosa.

Foto aérea do Deserto de Gobi

3. DESERTO DE GOBI, CHINA
O Deserto de Gobi é o último lugar na terra que alguém poderia pensar que existe uma região vinícola. Com apenas 6 a 8 polegadas cúbicas de chuva por ano, as vinícolas têm que obter água do Rio Amarelo. Apesar da falta de água, o maior desafio no deserto de Gobi é na verdade sobreviver ao inverno. Os produtores são obrigados a enterrar seus vinhedos na areia para protegê-los do frio extremo e consequente congelamento. Por causa dessas condições, as vinhas não sofrem de doença ou podridão, tornando assim fácil para as vinícolas produzirem vinhos orgânicos chineses.

Vinho na China antecede a civilização ocidental
A história chinesa do vinho remonta a muito antes da Europa Ocidental. A bebida fermentada mais antiga do mundo foi encontrada na bacia do rio Amarelo, datando de cerca de 6000-7000 aC. A indústria do vinho na China está crescendo rapidamente e já existem 11 regiões vinícolas distintas produzindo vinhos com centenas de variedades de uvas indígenas chineses.

Vinhedos em Nashik, a nordeste de Mumbai

3. NASHIK, ÍNDIA
Hindus tradicionalistas evitam carne, cogumelos, alho, chá e álcool. Mas o resto da Índia beber vinho e o mercado atual é 2 vezes maior do que em 2009. Cozinha da Índia é famosa por harmonizações perfeitas com vinhos brancos, como Riesling, Chenin Blanc, Gewurztraminer e Pinot Gris.

Onde exatamente na Índia?
O epicentro da produção de vinho indiano é em torno da cidade de Nashik, que fica a 100 km a nordeste de Mumbai. O clima de Nashik é semelhante aos da Califórnia, Austrália e Espanha. Uvas de mesa já são comumente cultivadas e agora há um crescente número de vinícolas.

BUENOS DÍAS EN BUENOS AIRES – OS VINHOS

Chegou a parte final do mega-post sobre a viagem a Buenos Aires no mês de julho. Depois de falar um pouco sobre a arquitetura, os restaurantes, chegou a vez de destacar os vinhos que comprei por lá e degustei por aqui. Eles foram adquiridos na loja Tonel Privado do shopping Galerias Pacifico, na Calle Florida.

Fui super bem atendido e assessorado pelo hermano xará Alejandro, que fez uma seleção no meu ponto de vida, matadora para o (pouco) que eu queria gastar. Valorizei na escolha principalmente vinhos que não são encontrados facilmente por aqui (Joinville). Contei com os conselhos do amigo e mestre Alexandre Frias, que me deu algumas ótimas dicas e que foram devidamente aproveitadas. Como vocês podem observar nas fotos, os vinhos foram muito bem embalados, e a caixa chegou intacta ao seu destino.

Por ordem de degustação, os vinhos foram os seguintes:


Alto Sur Malbec 2010
38 pesos (19 reais)
Simples, descompromissado mas com álcool e acidez suficientes para um boa degustação.


Cruz Alta Cabernet Sauvignon 2012
45 pesos (23 reais)
Belíssimo CS, com certeza uma das surpresas da seleção. Se encontrar por aí, irei comprar novamente.


La Vuelta Malbec 2010
28 pesos (14 reais)
O arrependimento: não ter provado antes esse vinho lá para ter trazido 1 caixa! Custo x benefício espetacular, vinho delicioso.


La Flor de Pulenta Cabernet Sauvignon 2008
58 pesos (29 reais)
Um vinho mais famoso, com o renome Pulenta. Bom, nada espetacular. Degustei vinhos melhores por menos lá em Buenos Aires.


Animal Malbec 2009
81 pesos (40 reais)
Um orgânico com assinatura de Ernesto Catena. Um vinhaço, que por aqui custa mais de 70 reais, valeu cada peso investido.


O último, um Trapiche Ciento Veinte Años, ainda não foi degustado. Mas está cercado de alguma expectativa, por ser o vinho mais caro que comprei e visto que o Alejandro, vendedor da Tonel Privado me confidenciou que seria uma bela compra por se tratar de um vinho com muitos atributos genuinamente argentinos. Foi criado com 5 uvas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot) em homenagem aos 120 anos da Bodega Trapiche. Como me simpatizei com a loja e o ótimo atendimento, resolvi confiar no cara. Agora, é aguardar a ocasião ideal para abrir o último sobrevivente da viagem. E pode deixar que, como sempre, contarei tudo pra vocês :-)

O passaporte dos vinhos italianos

As lojas Good Buy do Aeroporto de Roma lançaram essa ideia super legal para divulgar os vinhos italianos: o Passaporte dos Vinhos. Bem no clima de viagem / aeroporto / etc., a peça traz em italiano e inglês, dezenas de opções de vinhos italianos, devidamente organizados em Melhores Custo x Benifício, Clássicos, Premium e Espumantes, Prosecchi e Doces, com dicas de harmonização, temperatura de serviço e até mesmo que taça usar. Mais um mimo do Jordi Castan, que nunca esquece dos amigos em suas viagens. Ah, e que legal: você pode baixar uma versão eletrônica clicando aqui!

Buenos Días en Buenos Aires – Os Restaurantes

Dando sequência aos relatos de nossa viagem à Buenos Aires, vou falar um pouco dos restaurantes que realmente marcaram o passeio. Primeiro, é impressionante a cultura gastronômica do portenho, visto que lá é difícil encontrar a profusão de fast foods que vemos por aqui. A não ser que andei nos lugares certos demais ou não vi (nem faria questão).

De cara, como nosso check-in só poderia ser feito após o meio-dia, fomos tomar um café no Il Gran Caffé. Cappucino e uma tostada de presunto parma. Maravilhoso, e caríssimo! Mas valeu a pena :-)

Il Gran Caffé

Era um café, mas bem variado – Il Gran Caffé

Tostada de queijo e presuto Parma – Il Gran Caffé

No primeiro dia, o primeiro lugar para o almoço e de cara a grande surpresa positiva e possivelmente o lugar campeão: Tancat! Pertinho no nosso hotel, o Tancat é uma espécie de botecão espanhol, simples porém muito aconchegante com uma decoração bem bacana. O atendimento excelente, o vinho Rutini saindo por R$ 36,00 a garrafa e a deliciosa culinária fizeram a festa, e ficamos muito encantados com os tapas e com a conta. Lugar bom, bonito e barato. Quando um dia voltar a Buenos Aires, vou comer lá de novo. Nota 10!

Fachada do Tancat

Nos aquecendo, lá fora tava muito frio – Tancat

Detalhe Tancat

O bar do Tancat

Vinho delicioso e barato – Tancat

Pequenas porções divinas – Tancat

Quero voltar – Tancat

Em seguida,à noite, fomos a um dos “must go” dos brazucas que visitam a capital argentina, o Cabaña Las Lilas. É bem OK, foi o mais caro da viagem, para uma noite regada a bom vinho e boa carne. Mas confesso que esperava mais. Mas, a localização e a vista em Puerto Madero fizeram a diferença. Um belíssimo lugar, boa comida com preço salgado.

Puerto Madero, lindo local do Cabaña Las Lilas

Carta de vinhos – Cabaña Las Lilas

Churrasqueira – Cabaña Las Lilas

Belo vinho por 40 reais – Cabaña Las Lilas

Foto muito escura, mas a carne era excelente – Cabaña Las Lilas

A aventura enogastronômica teve seu ponto mais elegante no sensacional Restaurante Oviedo, especializado em cozinha mediterrânea. Um lugar bem discreto por fora, mas seu interior é de muito bom gosto, bem aconchegante. As fotos, principalmente as dos jantares, como nesse caso, ficaram muito escuras devido a iluminação intimista dos lugares. Por isso, no caso do Oviedo, recomendo aos amigos acessarem o site do restaurante para se deliciarem com a apresentação dos pratos, verdadeiras obras de arte. Desde as criativas entradas até os pratos, o meu um linguado espetacular, o tempo parou para nós na mesa desse belo restaurante. E além do mais, tive o prazer de encerrar a noite maravilhosa conhecendo o proprietário do Oviedo, o sr. Emilio Garip, que de uma gentileza única, nos ofertou seu licor de Tannat, que nem aberto nem disponível para a venda estava. Foi uma noite memorável, outro lugar que se rolar a chance, irei voltar.

Interior do Oviedo

Detalhe interior – Oviedo

Pinot Noir show – Oviedo

Linguado ao molho de Gorgonzola sobre cama de gnnochi de abobrinha – Oviedo

Simpatia em pessoa, sr. Emilio Garip – Oviedo

Melhor que vinho do Porto: Licor de Tannat – Oviedo

E quem diria que a melhor carne que iria provar seria em uma churrascaria de shopping center, com cara de franquia? E foi! E aliás, no shopping mais legalzinho de Buenos Aires, em minha opinião, o Galerias Pacífico. Pedi um asado de tira (costela bovina) no Posta Vecchia e me surpreendi com a qualidade da carne, o cuidado em me servir no ponto solicitado, o molho chimichurri de sabor delicioso… Surpresa dessas muito agradáveis :-)

Asado de tira (Costela bovina) – Posta Vecchia

Em um belo sábado de sol, almoçamos no Parolaccia, indicado pelo amigo Serginho Ferreira. Uma cantina italiana também localizada em Puerto Madero, bem pertinho da lindíssima Ponte de La Mujer. De início fomos duplamente surpreendidos: uma promoção de uma vinícola do tipo compre um vinho para beber no restaurante e ganhe outro para levar para casa; e pela generosa, espetacular tábua de frios que pedimos como entrada. Estava descrita que era para 2 pessoas, mas nós, em quatro, quase não demos conta de tudo. Como principais, pedi lombinho suíno ao molho de amoras acompanhado de purê de batatas e minha mulher Simone um peixe ao molho de queijo. Deliciosos! O ambiente muito bonito, com aquela pegada de cenário de ‘O Poderoso Chefão’, agradou em cheio.

Ponte de La Mujer – Parolaccia

Parolaccia

Detalhe menu – Parolacchia

Interior – Parolaccia

O vinho da promoção ‘toma um no restaurante, leva um pra casa’ – Parolaccia

Lombo suíno ao molho de amoras e purê de batatas – Parolaccia

Peixe ao molho de queijos e cogumelos – Parolaccia

Bom, esses foram alguns dos restaurantes que a gente frequentou e que achei que valiam a pena compartilhar com vocês. No próximo post, irei escrever sobre os vinhos que comprei em Buenos Aires para degustar em casa. Aguardem :-)

Çobo Keshmer, um vinho albanês surpreendente

Quando a gente pensa que tá começando a entender um pouquinho do mundo do vinho, aparece um tinto albanês e nos joga lá pro início de novo! Foi assim nesse Domingo, quando em um almoço na casa do meu pai, daqueles churrascos que ele gosta de fazer, que degustamos um vinho inusitado: um tinto albanês chamado Çobo Keshmer. Esse tipo de aventura só é possível por causa do internacional Jordi Castan, amigo catalão-brasileiro (e espanhol quando a Fúria joga e ganha) que sempre lembra de trazer um vinho diferente de cada canto do mundo que ele visita. Foi por causa dele que descobri o maravilhoso vinho peruano, por exemplo.

Berat, a cidade do vinho albanês

Voltando ao albanês: ele é produzido na cidade Berat (foto acima) patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, que fica encravada em umas colinas, a cerca de 130 km sul da capital Tirana. A família Çobo, que significa literalmente “vinicultores” em albanês, se vangloria de uma tradição centenária na produção de vinhos finos, 100% realizada em suas propriedades nessa região. No site tem um video todo elegante que destila nas imagens o orgulho do pessoal em relação ao terroir e produto., inclusive pelo que pude perceber, com citações e testemunhais de poetas e estadistas como Romano Prodi.

Um vinho albanês. E sim, muito bom!

Na mesa para acompanhar esse presente sem igual que nos proporcionou Jordi, eu e meu pai começamos com uma linguiça de presunto Jamón, uma iguaria catalã lá das terras do amigo Castan. Com uma capa de pimenta, serviu para deixar alerta nosso paladar para o vinho que, pela composição de seu blend que leva Cabernet, Merlot e a variedade local Shesh i Zi, pedia comidas ricas em especiarias e claro, assados de carnes de sabor bem marcantes.

Linguiça de presunto Jamon com pimenta, marca Josep Llorens

A tal carne de sabor marcante e condimentada que viria ser o par perfeito para nosso vinho, estava sendo preparada na grelha. Uma bela perna de carneiro, temperada com 24 horas de antecedência pelo seu Irineu, meu pai. Uma delícia que fez o vinho crescer e se desenvolver à mesa, trazendo lembranças dos bons vinhos piemonteses que bebíamos aos pés dos Alpes, em 1997. Foi uma opinião comum e uma das poucas vezes que eu e meu velho concordamos em algo de primeira :-)

Perna de carneiro bem temperada, espetacular

Ah… esse mundo do vinho. A gente se prende às vezes, em sua geografia restrita a uma dúzia de países, mas graças aos amigos, graças às mentes abertas que buscam o novo sem se contentar com a rotina, podemos descobrir coisas inéditas e surpreendentemente deliciosas. Um brinde a esse mundo maravilhoso, um brinde aos vinhos de países fora do mainstream. Um brinde à vida e aos amigos!

Buenos Días en Buenos Aires – a arquitetura

No feriadão de Corpus Christi realizei um antigo desejo, junto com minha mulher Simone. Finalmente, conheci e vivi dias super agradáveis em Buenos Aires, a eterna “capital europeia” da América do Sul e também da Argentina, rs… A cidade, como eu esperava, me arrebatou. Sua história, o orgulho de seu povo, o convívio entre as arquiteturas modernas e passadas. Tudo conspirou para que os passeios fossem sempre repletos de visões que pareciam saídas de um livro de história.

Mas o que isso tudo tem a ver com um blog de vinhos? Muita coisa, já que o objetivo da viagem foi comer e beber, mesmo que a trabalho. E por ser muita coisa mesmo, vou dividir os relatos do passeio em alguns posts.E inaugurando essa série, algumas fotos que tiramos da arquitetura marcante dessa cidade que certamente fará parte de uma viagem de volta, em breve.

Floralis Generica

Shopping Abasto, antigo mercado público

Sede do Instituto de Publicaciones Navales

Puerto Madero, com a sede do Standard Bank ao fundo

Visões na Praça de Maio

Residencial em San Telmo

Obelisco, a referência-mor

Fachada do Teatro Colón

Arquitetura moderna

Em muitos momentos, parece mesmo Europa

Ponte de La Mujer

Torres de iluminação do Teatro Colón

Buenos Aires skyline

Puerto Madero

Parece que cortaram à faca esse edifício

Os interiores são belíssimos, também. Galerias Pacífico

Na próxima postagem da série, vou falar do assunto principal: comida e vinho. Quem viver, lerá :-)