Penfolds Ampoule Project, uma ideia de R$ 320 mil.

Para envasar um vinho legendário, a Penfolds encomendou a um dream-team de artesões a tarefa de criar a embalagem que traduzisse de maneira plena todos seus atributos. Assim nasceu o Ampoule Project, algo espetacular tanto na confecção quanto no resultado final. Foram produzidas apenas 12 garrafas do Block 42 Kalimna Cabernet Sauvignon 2004, cada uma custando 320 mil reais, incluído no preço a viagem do winemaker da Penfolds para abrir a garrafa quando o dono da mesma decidir. Acompanhe no vídeo o making dessa verdadeira obra de arte.

A ficha técnica da extravagância pode ser baixada aqui.

Maycas del Limarí

Sou um fã declarado da literatura e do cinema hispano-americanos.
Autores como Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Vargas Llosa, entre tantos outros, moldaram meu gosto pelos livros com essa criatividade e sotaque tão especiais. Já nos filmes, confesso ser um calouro e vou aos poucos descobrindo as nuances e cores graças às indicações de caros amigos.

Dias desses assistimos aqui em casa ao (in)tenso Amores Perros, de Alejandro González Iñárritu. Como todo filme que mexe demais com meus nervos, esse pediu a imediata companhia de um vinho de forte presença.
A escolha caiu sobre o Maycas del Limarí, da ótima seleção da Wine de dezembro. Um cabernet sauvignon reserva especial, de apresentação garrafa / rótulo simplesmente lindíssima. Chamou a atenção de cara pela data da safra conter, além do ano, também o dia e o mês. Potentes 14,5% de álcool foram muito bem-vindos para lidar com algumas cenas do filme, onde brigas de cachorro são retratadas praticamente com a crueza de um documentário.

Mas, esse poderio etílico não se faz notar no nariz nem no paladar. Como todo vinho de reserva especial de responsa, o Maycas del Limarí mostrou um controle interessante sobre álcool e taninos, resultando em um cabernet gentil apesar de complexo. Uma verdadeira jóia chilena que resultou em uma compra extra da seleção, pela primeira vez.

Filme, vinho, literatura… mais do que entretenimento, formam uma combinação de alimentos para a alma, que satisfaz e faz crescer.

The end :-)

Verão Rosé 1 – Anakena

Hoje inicio uma nova série de posts, com dicas e opiniões e curiosidades sobre os vinhos rosés que são bem apropriados para nosso verão que chegou com tudo. Suaves, perfumados e muito saborosos servidos gelados, os rosés são a companhia ideal para frutos do mar, principalmente mariscos e ostras. Apesar de eu ainda não estar na praia as fotos ainda não tem aquele apelo marinho, com areia e mar ao fundo. Mesmo assim, o trabalho do bloqueiro tem que continuar, então a degustação inicial aconteceu aqui no apartamento, mas o vinho em questão me transportou, mesmo que em imaginação, para mais perto do barulho das ondas…

Inicio a série com um chileno que realmente agradou em cheio e me motivou (ainda mais) a escrever sobre esses vinhos cor de rosa bebê. Confesso que foi de uns anos para cá que consegui derrubar os tabus e preconceitos que eu tinha contra os rosés e agora sou um fã declarado deles.

O chileno é o Anakena Cabernet Sauvignon, safra 2010, proveniente do Vale do Rapel. Servido precisamente a 10 graus, e mantido assim durante toda degustação, o Anakena (principal praia da Ilha da Páscoa) demonstrou de imediato um frescor muito perfumado, com presença maciça de flores, morangos e pêssegos. Bastante macio, suave, sem nada de madeira o que realça a leveza e balanço.

E quando me pego assim, tentando descrever sensorialmente um vinho, mesmo sem ser um profissional, é porque o danado é bom demais. E essa pode ser a informação mais relevante que posso passar aos amigos: o vinho Anakena agradou bastante e é uma ótima opção para as noites quentes de janeiro, ainda mais a um preço de R$ 25,00 a garrafa :-)

Ponto Nero

Estava eu procurando um Cabernet nacional bacana, quando me deparei com esse vinho de rótulo elegante, nome pomposo e preço que tem tudo a ver com a proposta do nosso blog: 18 pilas.

.Nero, Ponto Nero, negro em italiano.

A pessoa que me atendeu informou que esse vinho metido a bonitinho não era também ordinário. Ao contrário, vem da Domno, um braço herdeiro da cultura vinícola dos nossos amigos da Casa Valduga, o que foi fator decisivo para eu levar a garrafa para casa.

Gratíssima surpresa. Daqueles vinhos que encantam pela simpatia, pois se apresentou num belo conjunto marca x nome x rótulo, tem pedigree mas não carrega a pretensão desnecessária e, principalmente, marca pelo aroma elegante e sabor muito agradável, delicado.

Que mais vou dizer? É brasileiro, custa o mesmo que um bom vinho do Chile ou Argentina e é honesto.

Ponto Nero e final.

Ficha Técnica

Vinícola: Domno do Brasil

Variedades: 100% Cabernet Sauvignon.

Graduação alcoolica: 12,5%

Vinhedo: Vale dos Vinhedos

Localidade: Serra Gaúcha – Garibaldi – Rio Grande do Sul

COLHEITA
Colheita manual e seletiva em caixas plásticas de 18kg.

PROCESSO
Seleção manual das uvas, desengace, esmagamento; adição de leveduras selecionadas, fermentação alcoólica, controle de temperatura, descuba, fermentação malolática, estabilização, engarrafamento e rotulagem.

CONSUMO
14-16 °C

Fina Estampa


Um blend muito bem estruturado de 60% Syrah e 40% Cabernet Sauvignon fez desse humilde chileno de 25 reais o mais novo integrante da (quase) seleta lista dos melhores vinhos nessa faixa de preço. O nome do bacana é Estampa Estate e vem do Vale do Colchagua, no Chile.

De uma cor vermelho púrpura muito bela, o Estampa Estate já mostra nos movimentos porque é especial: um balançar lento e preguiçoso, típico de um vinho liquoroso, quase sedoso. Deixa aquelas lágrimas bacanas, que escorrem sem pressa pelo interior da taça. Os aromas assim se revelam: notei café (mas pode ser o ar impregnado aqui do apto., rs), com certeza baunilha e uma presença legal de fruta madura.

No paladar, taninos realmente densos, maduros. Uma textura saborosa e aveludada que nos remete às geléias de amora. Um vinho de presença mas que não oferece desafios gustativos intransponíveis ao cidadão comum, por isso mesmo indicado para os amigos desse singelo blog.

Um assemblage de qualidade, principalmente para quem curte um vinho fácil de se lidar. Definitivamente uma ótima compra.

Aqui, você pode baixar a ficha completa (do produtor).


 

 

 

 

 

 

Latitud 33

O amigo Marcelo Rodrigo sugeriu e resolvi atender: hoje experimentei o Latitud 33 Cabernet Sauvignon, safra 2010. Um argentino que vem de família nobre, da mesma turma que fabrica os champagnes Möet et Chandon. O preço, ideal para um vinho descompromissado de fim de domingo, cerca de 25 reais (Supermercado Angeloni).

No rótulo de trás da garrafa, o produtor explica o porquê do nome. Diz que é justamente nessa latitude, a 33, que existe uma harmonia especial entre terra, temperatura e água. Como todo vinho acima da média, tem uma historinha pra contar, e essa até que é legal.

Antes de abrir, uma rápida olhada no conjunto da embalagem: o rótulo pequeninho, o belo logo em relevo prata e a escolha pelo minimalismo na apresentação me agradaram bastante. Dá aquele toque de requinte que diferencia um vinho bom e barato do apenas barato.

Após aberto, os 14% de alcool logo deram alô, o que pediu uma decantação que  deixou o vinho respirar um pouco e o alcool dar aquela dissipada antes da degustação. Na taça, a cor é bem bonita, um rubi com os famosos reflexos violáceos. No nariz, o aroma me lembrou na hora geléia de morango, da marca Ritter (a marca de geléia consumida aqui em casa) :-D e quando li a ficha técnica do produtor, fiquei satisfeito em ver que morango realmente faz parte das notas, junto com framboesa, caramelo e baunilha (sinceramente não “peguei” esses dois últimos).

Na boca, um vinho de corpo bem interessante, o alcool ainda se fazendo notar mas sem incomodar. Acidez e taninos no ponto certo. Foi bebido com muito prazer, entrando pra lista dos companheiros engarrafados, de ótimo preço e resultado.

Ficha Técnica

  • Vinícola Bodegas Chandon
  • Marca/Linha Latitud 33°
  • Composição Cabernet Sauvignon
  • Safra  2010
  • País Argentina
  • Região Mendoza
  • Uvas Cabernet Sauvignon
  • Preço médio 25.00
  • Graduação 14%
  • Temperatura 16-18°C

Um belo vinho da Campanha

Vem da Campanha Gaúcha, sudoeste do Rio Grande do Sul, esse belo Cabernet Sauvignon. Encorpado, meio parrudão como um tio gaúcho bonachão de origem italiana, que é sincero e rústico demais mas fácil de se criar uma afeição.

Taninos bem presentes quase agressivos pedem um pouco mais de guarda para uma maior maturação. Uma bela coloração rubi, aromas bem destacados e intensos de frutos maduros, caramelo e madeira (carvalho). No final, até um toque de tobaco parece ter emanado da taça, o que me fez pensar seriamente em acender um havano para finalizar a noite. Como era tarde, achei melhor deixar a fumaça para uma outra hora.

Miolo Reserva Cabernet Sauvignon 2009. Mais uma ótima pedida para quem está procurando descobrir os vinhos brasileiros, em especial os do RS. Um exemplar que traz muito bem representadas as características desse terroir que é a Campanha. De 0 a 100, dou 80 pontos pela excelente relação custo x benefício (custa cerca de R$ 25,00).