Bem amigos da maior rede de vinhos do Brasil, o Enoblogs. É com grande satisfação que esse blog volta à ativa bem a tempo de participar do maravilhoso Malbec World Day, um evento que busca exaltar o símbolo máximo da viticultura argentina por todo o mundo. E eis que convidados a participar do Wine Bar especial que irá ser transmitido ao vivo no dia 17 de abril, recebemos nosso “material de estudos”. Três exemplares magníficos que serão degustado à ocasião, agora é colocar os “hermanos” na adega e aguardar ansiosos pela próxima quarta-feira. Até lá
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Atrizes que Lembram Vinhos
Dias de vinho e tango em Buenos Aires
Amigos, o blog Veni, Vidi, Vinho embarca para uma viagem a Buenos Aires. Serão 5 dias que me ausentarei das postagens regulares mas que estarei registrando novas e deliciosas aventuras enogastronômicas. Então, até semana que vem. Quero ver todo mundo ligado, porque a expectativa é de posts muito bacanas!
Trapiche Roble Malbec

Hoje foi dia de visitar um dos clássicos da boa relação custo x benefício. Os vinhos Trapiche sempre se saíram bem naquelas situações informais, acompanhando uma massa inventada em casa, tudo sem grandes pretensões. E hoje (quase) não foi diferente.
De diferente, e meio que desagradável, foi o fato de eu ter achado o álcool do Trapiche Roble Malbec 2008 muito persistente no nariz… Mesmo deixando o cara descansar, respirar, e tantos outros ‘ar’ o álcool se fez presente durante um bom tempo, de maneira meio truculenta. O que não condisse de maneira alguma com o sabor suave, amadeirado com notas de baunilha, muito gostoso. Essa falta de harmonia incomodou um pouco, mas não o suficiente para me tirar o humor.
No geral, para um vinho que custou 28 reais, cumpriu seu papel de acompanhar uma massa com linguiças e requeijão que acabei inventando rapidamente. Resumindo: não decepcionou mas também não empolgou.
Septima Malbec 2010
Um vinho da terra dos Incas
Às vezes a vida nos brinda com algumas amizades inesperadas, que florescem rapidamente, baseada em uma fórmula mágica de interesse comum por certos assuntos, principalmente por história, geografia, cultura e gastronomia. E foi assim que aconteceu entre mim e o catalão de nascença e brasileiro de adoção Jordi Castan. Residente há décadas aqui em Joinville, ele é um paisagista renomado, colunista de mão cheia e um baita de um companheiro nas rodas de cerveja que acontecem no Bar do Zeppa.
Por força do seu ofício, Jordi viaja mundo afora, e em uma de suas viagens pela América Latina, me trouxe um vinho peruano. É como diz aquele ditado ‘vivendo e aprendendo’ pois nem imaginava que existia uma indústria vinífera no Peru. O aprendizado do ditado acabou virando pesquisa e conhecimento. Fiquei realmente instigado, principalmente pelo fato da região, o Vale de Ica, ser o berço de um assunto que sempre me fascinou desde criança: a civilização Inca.
O belo nome já entrega que o produtor Bodega Santiago Queirolo bebeu dessa fonte: Intipalka significa Vale do Sol em quechua, a língua dos Incas. Um rótulo elegante, limpo, muito belo. Já ganhou pontos de cara
O Intipalka Malbec (40%) Merlot (60%) Reserva é um vinho de um rubro profundo, revelando tons brilhantes muito belos. A cor é realmente um show a parte. Sentindo os aromas, percebi um belo trabalho de harmonizar a personalidade frutífera do Malbec (amoras, ameixas e morangos) com o toque mais maduro e adulto do Merlot. Diferente, e me agradou bastante.
E a surpresa final fica por conta do sabor. Muito frescor na boca, harmonizando taninos super suaves e um final longo e de muita personalidade. Me flagrei (quase) dando longos goles, de tão saboroso e de fácil interação que é esse ótimo vinho.
Como foi um presente, não perguntei nem me interessei em saber o preço.
Pra falar a verdade, certas coisas como a amizade e um bom vinho nunca são caras ou baratas demais. São simplesmente sem preço.
Humberto Canale Gran Reserva
Ando meio puto com o atual cenário político brasileiro. Então, na véspera desse 7 de setembro, achei uma maneira diferente de protestar: ao invés de abrir o Miolo Lote 43 que estava reservado para a data, abri um arquirrival “hermano”, um vinhaço argentino que a partir de hoje estará sempre listado como um dos melhores Malbec que já degustei.
O Humberto Canale Gran Reserva 2008 é um vinho de muita personalidade. A bodega (que leva o mesmo nome) fica no Vale do Rio Negro, na Patagônia Argentina e foi fundada em 1909. O site do produtor traz muitas informações e fotos belíssimas do local e vale a visita.
Na taça, um vermelho rubi intenso já denota o caráter forte das terras da Patagônia, e ao balançar a textura sedosa forma longas lágrimas que escorrem lentamente. Lindo de ver. Assim como a garrafa, com seu discreto mas charmoso rótulo, e adornada por um brasão em metal, que lembra uma moeda antiga. Muito legal!
Aromaticamente elegante, o Humberto Canale libera lentamente lembranças de compota de ameixas e flores, com um toque levemente tostado (deve ser fruto da reserva na madeira).
O sabor é de um autêntico Malbec argentino de renome, taninos redondos e super bem estruturados, dá pra sentir um gostinho de baunilha no final. Encorpado, saboroso, Acompanhou uma bela pizza margherita, que tava mais pra pretexto pra degustar mais um super vinho.
Baixe aqui o .pdf do produtor para esse vinho
FICHA TÉCNICA
Produtor: Humberto Canale
Tipo: Tinto – Malbec
Região: Patagônia
País: Argentina
Uvas: Malbec(100%).
Graduação Alcoólica: 14%
Temperatura de Serviço: 15oC
Envelhecimento: 12 a 14 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Diretrizes Enogastronômicas: Acompanham muito bem as carnes vermelhas, queijos brie.
Safra: 2008
Estimativa de Guarda: 8 ano(s)
Conteúdo: 750 ml
Cor: Vermelho violáceo intenso e profundo.
Susana Balbo Crios
Ela, Susana Balbo, é uma enóloga renomada.
Ele, o Crios, resultado da paixão dessa mulher que nasceu para fazer um dos melhores vinhos da América.
Então, resolvi degustar esse argentino, o Crios Malbec 2009, inspirado pelos atributos acima mencionados, e também pelos comentários muito positivos de um cara que entende de vinho de verdade (e não só um amador como eu) o Alexandre Frias, idealizador do Enoblogs e do Diário de Baco.
E que vinho… Um espetáculo aos olhos, desde o rótulo muito bem desenhado, aquele traço contínuo desenhando as mãos que pelo que pesquisei homenageiam os filhos da Susana (por isso o nome Crios); até a belíssima e radiante cor violeta que sem dúvidas fica linda em uma taça de cristal (esse merece a sua melhor taça da casa).
E os aromas? Dá pra chamar de perfume sem medo… Impregnou a sala após aberto, com uma mescla de flores e frutas doces.
A guarda em barris de carvalho, pelo jeito elaborada com muito cuidado por dona Susana, faz o Crios deixar na boca um retrogosto amadeirado muito bem equilibrado que conferiu aos taninos uma elegância muito peculiar. Acidez perfeita e final muito agradável.
No auge da degustação, com o vinho já fazendo aquela festa gostosa em meus pensamentos, conclui que dificilmente a gente acha um vinho desse garbo por R$ 35,00. Recomendadíssimo!
Ficha Técnica
Produtor: Dominio Del Plata
Tipo: Tinto – Malbec
Região: Mendoza
País: Argentino
Uvas: Malbec(100%).
Temperatura de Serviço: 16oC
Envelhecimento: 9 meses em barricas de carvalho francês(50%) e americano(50%).
Safra: 2009
Conteúdo: 750
Aromas: Complexo com notas delicadas de baunilha e café.
Sabor: Na boca tem taninos firme e finos, bom equilíbrio entre a acidez, tanino e álcool. Bom final e deixa a boca limpa.
Cor: Vermelho intenso com reflexos violáceos.
Harmonizações perigosas
Hoje foi uma noite de aventuras gastronômicas: após um roll-mops no bar do Zeppa, fui para casa para jantar uma bela dobradinha caseira. Nunca imaginei que iria, um dia, degustar esse ícone da comida popular e botequeira acompanhado por um vinho.
Mas a vida é curta, então não podemos ter medo de viver perigosamente uma vez ou outra.
E foi assim que derrubei um tabu pessoal. Aquela maravilha de prato, repleta de feijões brancos, linguiças, lombinho defumado e claro, carne de bucho bovino, ali na mesa, me esperando… E eu abrindo um Concha y Toro Reservado Malbec de 18 reais pra fazer as honras da “harmonização”.
E não é que funcionou? Apesar dos enochatos dizerem que isso é loucura, o vinho caiu bem. Talvez a pedida ideal fosse um vinho mais “rústico”, um Cabernet ou um Merlot. Mas, o Malbec desempenhou legal e me senti super satisfeito com o resultado.
p.s.: o Concha y Toro Reservado Malbec é um vinho muito bom pelo preço (18 reais). Uma pedida mais do que certa para o dia-a-dia. Foi adquirido na Mercearia Zeppelin, que tem uma seleção tímida porém bem feitinha de vinhos bons e baratos.
Signos
Hermano… que beleza de vinho. O Signos Malbec 2008 se revelou nessa noite, um ótimo companheiro. Sedoso, quase aveludado no palato, e de um aroma frutado com notas de chocolate, o Signos agradou demais. Daqueles vinhos que não prometem nada por causa de seu preço e por isso mesmo acabam surpreendendo no resultado. R$ 19 e uns quebrados mais pobre, mas muito feliz e de alma aquecida com a honestidade desse Malbec. Adquirido na De Marseille, onde a gente pode encontrar algumas ótimas ofertas, ideal se você estiver cansado de comprar vinho nos supermercados da vida. Recomendo aos amigos, sem medo.
Ficha técnica
Nome: Signos
Safra: 2008
País: Argentina
Região: Vale de Tulum, Mendoza
Produtor: Bodegas Callia
Importador: Decanter
Uvas/Corte: Malbec 100%
Teor alcoólico: 13,5%
Preço: R$ 19,60 (De Marseille, Joinville)
Comentário do Produtor
Vermelho-rubi muito intenso. Deliciosamente maduro, com frutas vermelhas em compota e chocolate.
Encorpado, macio, sedoso e frutado na boca, com ótima persistência.













