The Vine Hotel, na Ilha da Madeira em Portugal.
Espetacular, só isso.
Clique nas fotos para ampliar.
Você era capaz de escolher um vinho com a marca Hitler e uma fotografia do homem no rótulo? Ou Stalin? Ou Mussolini? O prefeito da cidade de Santa Comba Dão, no interiorzão de Portugal, acha que os consumidores são capazes de engolir um vinho chamado “Memórias de Salazar”. Talvez ele ache que as pessoas têm memória de peixe e já esqueceram os mais de 40 anos de autoritarismo.
Vou explicar. Santa Comba Dão é a terra do ditador, que governou Portugal com mão de ferro por décadas. E o atual prefeito do lugar acha que a marca tem potencial de mercado. Não duvide, leitor e leitora, porque o homem pode ter alguma razão. Faz algum tempo, uma televisão local fez um programa para escolher os maiores portugueses de todos os tempos e Salazar ganhou na votação popular.

Mas o projeto anda com muitas dificuldades para avançar. É que há alguns dias o Instituto Nacional de Propriedade Industrial rejeitou a criação da marca, sob a alegação de que ela tem “elementos susceptíveis de por em causa a ordem pública”. Só que o prefeito não desiste. Diz que pode até abrir mão do “Memórias de Salazar”, mas vai criar outra marca. E avisa que a palavra “memórias” pode até sair, mas o nome “Salazar” não cai. Agora ameaça tentar o registro da marca “Vinhas de Salazar”.
Uma coisa é certa. Se o vinho sair, é provável que muita gente compre. Ou haverá melhor presente para você demonstrar a uma pessoa que não gosta dela? Ou que uma pessoa tem um comportamento, digamos, ditatorial? Ou que ela é uma daqueles tipos incuráveis de direita? Pelo menos uma coisa é certa: com a marca Salazar podemos esperar vinho diferente: amargo e que só piora com o tempo.
Por: José António Baço
O que seria da vida sem os pequenos prazeres? Não sei de onde vem a tradição – e nem se existe em outras casas portuguesas –, mas na minha família é uma coisa de muito tempo: pastel de nata acompanhado de um espumante.
Os sabores são indizíveis e nem vou tentar descrever. Mas recomendo que, se um dia tiver a mais remota oportunidade, não deixe de experimentar. Vale a pena. E a combinação parece bastante provável, se imaginarmos o contraste de um espumante mais seco e a doçura leve do pastel de natal. Doce? Sim…
Para um brasileiro, pastel é massa salgada com recheio. Portanto, para esclarecer os que estão menos familiarizados com o conceito dos pastéis portugueses, eles são uma das mais famosas criações da tradicional pastelaria local.
A maioria dos brasileiros já deve ter ouvido falar nos pastéis de Belém. Que são pastéis de nata, mas fabricados em Belém, um bairro de Lisboa. A pastelaria é um dos mais famosos pontos turísticos da cidade e todos os dias é invadidas por turistas, sejam estrangeiros ou locais, decididos a experimentar essa iguaria única. Também recomendo.
No meu caso, é caminho do trabalho. E, sempre que posso, passo por lá e levo alguns pasteis para casa. Onde serão devidamente apreciados com um bom copo de espumante. Pequenos prazeres.
Por: José António Baço
Há pessoas que, quando compram uma bebida, compram também o status que ela transmite. Ou seja, a bebida acaba por falar pela pessoa, dizer qual é o lugar dela na escala social. Mas eu, como pobre de marré, acho que uma bebida é para ser apreciada sem essas frescuras. E não precisa mostrar que eu sou sofisticado… porque eu não sou mesmo.

E como gosto de beber espumante, não deixo que o preço me impeça. Sim, senhores, sou um bebedor contumaz dessas marcas que estão aí na foto. Umas são mais saborosas, outras menos, mas o fato é que o meu budget mensal para vinhos espumantes é ridiculamente baixo. Se derem uma olhada nos preços vão ver que com R$ 4,50 eu consigo beber um espumante e me divertir.
É a vantagem de viver em países onde o mercado oferece esse tipo de alternativa (é quase socialista, para tristeza dos snobs). Mas mesmo aqui em Portugal tem gente que se incomoda por beber algo tão barato. Porque falta aquele espírito de requinte de um autêntico champanhe francês. E com razão. É claro que não é Moet & Chandon. Mas eu também não sou nenhum Alain Delon.
Na minha modesta opinião de publicitário, a agência angolana Publivision fez um belo trabalho visual para apresentar os vinhos Montes Claros ao país africano.
Nosso enogajo, correspondente do blog em Portugal, Zé António, o ilustre ‘baco com cedilha’ nos brinda com uma descoberta inusitada. Confira!
Licor de Merda
O leitor e a leitora vão me dar a liberdade de falar de outra bebida que não seja vinho. Mas acho importante partilhar este produto único de Portugal: o Licor de Merda. Ora, quem iria colocar um nome desses num produto? Ninguém de bom senso. Ou, pelo contrário, talvez alguém muito intuitivo em termos de marketing. Aliás, acho que foi por isso que sempre duvidei da sua existência, até que um dia vi uma garrafa num bar na região do Calvário, em Lisboa. Afinal, o Licor de Merda existia. É uma bebida da região de Cantanhede, feita à base de leite, baunilha, cacau, canela e frutas cítricas.
Diz a lenda que a bebida surgiu no período pós-revolução do 25 de Abril, que acabou com a ditadura salazarista em Portugal. E era uma maneira de fazer uma homenagem a alguns governantes que chegaram ao poder nesse período. Parece que ninguém se entendia.
No entanto, a marca só foi registrada quase 30 anos depois. Ok… vou ser sincero e dizer que nunca bebi. Quem experimentou diz que é uma merda da boa, muito gostoso.
Por: José António Baço
O tema de hoje é o vinho tinto alentejano Porta da Ravessa. Nem tanto pela bebida em si, produzida a partir das castas trincadeira, aragonês, alicante bouschet e castelão, mas pelo nome e a imagem. Há uma história por trás da concepção do rótulo desse vinho, o que é sempre motivo de interesse para os apreciadores, mas ainda mais para publicitários e profissionais de marketing.
A Porta da Ravessa, também chamada Porta do Sol, identifica a entrada nascente da muralha do Castelo de Redondo, uma pacata e agradável cidade do Alentejo, a 170 quilômetros de Lisboa. O rótulo mostra uma fotografia construção, edificada no século XIV. E com o devido tratamento de Photoshop, como podem ver na imagem.
Por: José António Baço
Quando o assunto é o marketing, as melhores ideias são sempre as mais simples. E é por isso que eu gosto do projeto Rota dos Vinhos, em Portugal. Não sei quando foi criado exatamente – participei na edição do primeiro livrete em 2000 -, mas percebe-se fácil que é uma ideia inteligente.
O que são as rotas dos vinhos? Um projeto de enoturismo. E, como o próprio nome diz, são percursos por diversas regiões vinhateiras do país, sempre tendo o vinho como tema central. E por que é tão boa ideia? Porque não é preciso fazer muita coisa para pôr o projeto de pé. Grosso modo, basta reunir vontades e trabalhar na divulgação.
De acordo com o projeto inicial, as rotas dos vinhos em Portugal tinham mais de 30 percursos, que também valorizam aspectos culturais, históricos, arquitetônicos, paisagísticos etc. E é tudo muito simples. As cidades já estão lá. As vinhas estão lá. As adegas estão lá. Só falta identificar as estradas com placas (ver foto) e levar o consumidor-turista a aderir à ideia.
Percorrer os caminhos escolhidos é desfrutar de experiências única, num país que é um dos maiores produtos de vinho do mundo e que nos últimos anos tem melhorado fortemente a qualidade dos seus produtos. Mas isso tem que ser feito por gente que aposta no turismo e entende do assunto.
Fica como benchmarking para Santa Catarina. Deve haver, por aí, algo que possa ser tratado da mesma maneira, num outro setor qualquer. Afinal, mais que uma questão de investimento, é uma questão de visão de marketing aplicado ao turismo.
Por: José António Baço